Espiritualidade

Pombagira: características, falanges e atuação

Possivelmente a mais polêmica entre todas as entidades de matriz afro-brasileira, a pombagira – também chamada de Pomba Gira e Bombogira e Pombajira – é um entidade especialmente trabalhada na Umbanda, mas não considerada em algumas outras religiões de matriz africana.

Na maior parte das interpretações da Umbanda, a Pombagira manifesta-se através de diferentes formas, e atua como uma espécie de personalidade feminina de Exú. Neste sentido, carrega a mesma características de multiplicidade e várias falanges assumidas, bem como a características de mensageira e parte constante da vida terrena em vários de seus aspectos.

Geralmente a pombagira é associada com os desejos e os prazeres, e está ligada com a sexualidade, a luxúria e alguns desejos que existem a despeito das pressões morais. Ela personifica as forças naturais que transmitem as mensagens e vivem sobre os pensamentos das pessoas, especialmente aqueles mais poderosos.

Saiba mais sobre a Pombagira, suas características, discussões e principais usos em relação aos que nela creem:

Pombagira e suas características

Registrada de os inícios dos anos 1900. A Pombagira é marcadamente a representação da sexualidade feminina a mundana. Liberta de repressões e controles típicos de nossa sociedade, ela vive de maneira semelhante a Exú – não é verdadeiramente livre ou elevada, mas busca viver de acordo com seus desejos.

Não à toa, é a entidade que estimula e realiza os desejos daqueles que a agradarem. Assim como o outro Orixá, possui a função de mensageira e atua como muitas, e não apenas como uma deidade. Fala-se que as pombagiras são resultado de espíritos que sofreram muito e estão em busca de sua evolução através do trabalho conjunto com as pessoas. Em alguns casos, não são suficientemente evoluídas para atender às demandas daqueles que solicitam, o que torna importante ter bastante conhecimento sobre o que é feito com ela.

As pombagiras são especialmente trabalhadas pela Umbanda, no Brasil, não fazendo parte de algumas outras religiões de matriz afro-brasileira. Na Umbanda, suas cores são o vermelho e o preto, e a entidade é extrovertida, gosta de conversas intermináveis, risadas estridentes, bebidas e cigarros. Elas representam a entrega ao próprio desejo, e podem assumir várias falanges distintas.

A falange mais conhecida da pombagira é Maria Padilha, que representa uma cortesã de Castela, no século XIV, de período que precedem o próprio processo de colonização das Américas. Maria Padilha foi amante de Pedro, o Cruel, rei de Castela, e sua história ficaria eternizada como um compilado de amarrações e magias de uma mulher dedicada à realização de seus próprios desejos.

As camadas de Pombagira

Em um tradição essencialmente maniqueísta, é comum separarmos todas as coisas e atos em dois lados opostos: bem e mal. Na prática, no entanto, não se pode dividir todas as coisas dessa maneira. Pombagira mostra isso com grande precisão: seu comportamento e até mesmo atos que podem ser considerados questionáveis não são frutos da maldade ou da crueldade.

Como mensageira, ela não faz uma avaliação moral daquilo que é pedido para ela. A busca de Pombagira é por realizar o pedido dos outros em seu caminho de evolução, sem avaliar se os pedidos fazem parte de algo bom ou ruim. Dessa forma, a valoração deve ser sobre o pedido feito a ela, e não à entidade em si.