Espiritualidade

Xangô: símbolos, características e seus filhos

Xangô ocupa, entre os Orixás, a posição central de poder e liderança. É, em grande medida, a própria representação do poder, e com ele se une. Do poder, Xangô nasce, e é em seu nome que atua.

Não à toa, é considerado o rei absoluto e implacável dos Orixás, e não deixa de exercer tal papel entre as pessoas. Age sobre os poderosos do plano terreno como forma de manifestar sua sede pela liderança. Embora não seja hierarquicamente superior que outros Orixás, na tradição do candomblé, é considerado o mais centralizador do poder como uma instituição – não necessariamente sobre os outros, mas sobre o reino das deidades.

É por sua que se institui as representações do acúmulo do poder em Xangô. Obviamente, não é nessa busca que sua existência se resume: a ele cabe o poder, pois é ele quem sabe comandar, como já demonstrou no reinado sobre Òyó. Sua capacidade de liderança, embora autoritária, é nata e eficiente, fazendo dele um líder tão capaz quanto impávido.

Saiba mais sobre Xangô, suas características, símbolos e os traços tipicamente associados com seus filhos:

Elementos simbólicos de Xangô

Como a maior parte de seus elementos está diretamente associada ao poder, Xangô não poderia deixar de ser representado pelo fogo como seu elementos principais. Inclui-se, neste elemento, a formação dos raios e, em alguns casos, formações rochosas, mas sem tornar a terra mais relevante que o fogo. Em função disso, representa-se o Orixá através do vermelho e branco, com a utilização do marrom em algumas ocasiões.

Seu dia é a quarta-feita, e utiliza-se instrumentos como os machados duplos, as pedras Edún-Àrá e o xerê como alguns de seus símbolos mais tradicionais. Obviamente, os domínios de Xangô dizem respeito ao controle, à liderança estatal e – em algumas interpretações – à própria justiça. Embora seja incontestavelmente sedento pelo poder e, muitas vezes, arbitrário em relação à sua tomada, Xangô é competente e justo em suas ações, quando no controle de um povo.

História e características

Fala-se que Xangô tomou o poder de Òyó após retirar seu meio irmão do trono da capital dos iorubás. Em algumas histórias, ele próprio era o herdeiro legítimo do reinado, e o irritava o caráter excessivamente paciente e tolerante do irmão.

Seu comando, suas decisões sábias e justas e sua capacidade de inspirar são até hoje referenciadas no território da Nigéria. Ele reflete a imagem de seu povo e seus anseios, a despeito do caráter ditatorial de seu reinado. Não se pode pensar, no entanto, que seja arbitrário: é muito mais honesto e justo do que imprevisível, o que lhe rende grande admiração.

Embora os machados de face dupla sejam seus instrumentos, sua grande arma é o fogo que rompe os céus – o raio. Além de poderoso e conquistador, o Orixá é reconhecidamente vaidoso e belo, e o fogo representa, também, seu desejo ardente.

Em sua história, três Orixás disputaram seu desejo, tendo sido casado com Iansã, Oxum e Oba. Dado seu extremo poder, nem mesmo a morte decide sobre a vida de Xangô. É por ser mais poderoso que ela, aliás, que é considerado o principal símbolo da vida.

Os filhos de Xangô

Muitas vezes, os filhos de Xangô são fisicamente reconhecíveis. São fortes, e – na maior parte dos casos – possuem tendência para engordar, acumulando gordura. Ainda assim, visivelmente fortes, de constituição avantajada. Obviamente, nem todos os seus filhos são assim, sendo apenas uma tendência tradicionalmente apontada pare eles.

Invariavelmente são pessoas com bastante energia e boa auto-estima. Filhos de Xangô gostam da liderança assim como o Orixá, e buscam por ela durante boa parte da vida. Portam-se de maneira nobre, sempre acompanhados, mas raramente totalmente integrados com aqueles que os acompanham.

Embora seja um pouco egoístas em caráter individual, são justos sempre que possível. São pessoas austeras, que gostam de acumular, mas também são vaidosos e buscam o acúmulo do conhecimentos.  São amantes ardentes e, não raras vezes, sentem-se impelidos à traição.